“A chance de eu ficar está menor”, diz Escudero, meia do Vitória

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Joá Souza l Ag. A TARDE

O principal ídolo do Vitória pode estar de saída. As negociações para a renovação de Escudero estão emperradas. Uma das questões que têm travado o acerto é uma dívida de cerca de R$ 500 mil que o rubro-negro tem há dois anos com atleta. O meia argentino, de 28 anos, que chegou ao Leão em janeiro de 2013, pede a quitação antes de assinar um novo contrato. Já o Leão busca uma renegociação. Se o imbróglio for resolvido, o Vitória se tornará a equipe que Escudero mais defendeu na carreira, superando o Velez, onde ele foi revelado e atuou por três anos. Contudo, a situação ainda não está próxima de um final feliz. Com propostas de outros clubes, Escudero afirma nessa entrevista exclusiva ao A TARDE: “Meu desejo é ficar, mas preciso pensar no futuro meu e da minha família”.

A demora para renovar vem te deixando chateado?
Não. São negociações nada simples, reconheço isso. Estamos negociando, mas claro que quero que a negociação acabe dando certo.

O que está faltando para o acerto?
Existe uma dívida que atrapalha um pouco a negociação. Meu contrato termina no fim de ano e, para renová-lo, precisam cumprir com o passado. É uma dívida de dois anos atrás.

Você tem propostas de outros clubes?
Já tive várias sondagens de times de Brasil e do exterior, mas meu desejo é continuar no Vitória. Deixei isso claro para meu empresário.

É grande a possibilidade de você não jogar pelo Vitória em 2016?
Quando acabou a Série B, no dia 28 de novembro, a possibilidade de ficar era grande. Hoje, as possibilidades vão diminuindo, mas as negociações continuam. Eu tenho que começar a ouvir as propostas de outros clubes e pensar no futuro meu e da minha família.
Se a renovação der certo, o Vitória vai se tornar o clube que você mais defendeu na carreira, superando o Velez Sarsfield, que o revelou. Como explicar tamanha identificação sua com o Rubro-Negro?
É difícil de explicar. O Vitória é um clube que tenho uma admiração enorme. Aprendi a respeitá-lo. Até cheguei a fazer um grande sacrifício para jogar partidas quando não tinha condições. Fiz isso tudo pelo clube. Muitos sabem disso.

Além de ter atuado na Espanha, você jogou por outros quatro clubes: Velez, Boca Juniors, Grêmio e Atlético-MG, todos campeões da Libertadores. O que você acha que falta ao Vitória para se tornar um clube de ponta no Brasil e na América do Sul?
O Vitória tem tudo para ser um clube de ponta do Brasil. Tem uma base excelente, estrutura, boa administração e uma torcida maravilhosa. Mesmo sabendo que o orçamento era muito inferior a outros times, em 2013, tivemos perto da classificação à Libertadores. Tomara que em 2016 o Vitória possa brigar de novo entre os melhores times do Brasil.
Em 2013, você e o Vitória tiveram um excelente ano. Em 2014, você passou uma temporada de lesões e o

Vitória fracassou. Já em 2015, você foi se recuperando no decorrer dos meses e o Vitória teve uma temporada de redenção. Escudero realmente é a referência e o termômetro rubro-negro?
O ano de 2013 foi muito bom, cheio de alegrias e lembranças inesquecíveis (5º colocado no Brasileirão e campeão baiano com goleadas de 5 a 1 e 7 a 3 sobre o Bahia). Já 2014 foi um ano de aprendizado. Tive uma lesão que me tirou dos campos por quase seis meses. Mesmo assim, voltei antes do previsto para ajudar o time. Infelizmente, não deu para nos livrar do rebaixamento. Já neste ano, o primeiro semestre não foi bom (5º no Baianão e 3º na Copa do Nordeste), mas serviu para nos acordar. Graças a Deus, o time encaixou, chegou o professor Mancini para arrumar a casa e conseguimos o tão esperado acesso. Eu tento ser uma referência dentro e fora do campo. Sou um cara muito tranquilo, que amo o que faço e cumpro meu trabalho com profissionalismo.

Qual deve ser a prioridade do Vitória nos primeiros meses de 2016? Concentrar esforços para fazer uma grande campanha no retorno à Série A ou lutar ao máximo para voltar a ser campeão baiano e evitar o tricampeonato do Bahia?
As duas coisas. O Vitória tem que se preparar para fazer um grande ano.

Aceitaria um convite para jogar no Bahia?
Como falei anteriormente, nunca iria jogar no Bahia pelo respeito que tenho ao Vitória.

Você ainda é amigo de Maxi Biancucchi? Acha que ele fez certo em deixar o Vitoria em grande fase e ir para o Bahia? Em dois anos, Maxi ainda não acertou por lá…
Continuo sendo amigo dele. Não vai mudar porque ele fez a escolha de ir para o Bahia. Cada um faz a escolha que pensa que é a melhor. Eu não posso dizer se foi certo ou não. É uma decisão pessoal. Eu sempre vou querer o melhor para ele e sua família. (A TARDE)